Mitos e verdades sobre a relação entre idade e doenças crônicas: O papel da genética e do estilo de vida
- Erica Paiva
- 20 de ago. de 2025
- 4 min de leitura
O envelhecimento é um processo natural e complexo, influenciado por uma intrincada dança entre nossos genes e o ambiente em que vivemos. No senso comum, muitas vezes associamos a idade avançada ao desenvolvimento inevitável de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e problemas cardíacos. Mas será que essa visão é completa? A ciência tem nos mostrado uma perspectiva muito mais nuançada e empoderadora.
Vamos desvendar alguns mitos e verdades sobre a relação entre a idade, nossa genética e o surgimento de condições crônicas, com base em pesquisas e descobertas recentes.

Mito 1: O envelhecimento inevitavelmente leva ao desenvolvimento de doenças crônicas
A verdade: Embora a idade seja, sim, um fator de risco para diversas condições crônicas, o desenvolvimento dessas doenças não é uma consequência predestinada do envelhecimento. A ciência moderna tem demonstrado que fatores ambientais e de estilo de vida desempenham um papel muito mais significativo na saúde e na longevidade do que se pensava. Por exemplo, estudos recentes indicam que fatores ambientais, como dieta, exercícios e exposição a toxinas, podem explicar uma parcela muito maior da variação no risco de doenças e até mesmo na longevidade, em comparação com a predisposição genética. Isso significa que, mesmo com o passar dos anos, nossas escolhas diárias têm um impacto profundo na nossa saúde.
Mito 2: Pessoas idosas não podem prevenir doenças crônicas, pois a genética já determinou seu destino
A verdade: A genética, de fato, contribui para a predisposição a certas doenças. Por exemplo, variantes em genes específicos podem aumentar o risco de condições como o diabetes tipo 2. No entanto, a genética não é o único determinante. A interação entre nossos genes e o ambiente é crucial. Isso significa que, mesmo que você tenha uma predisposição genética para uma doença, a adoção de um estilo de vida saudável – com alimentação balanceada, prática regular de exercícios e controle do estresse – pode mitigar significativamente esse risco. A epigenética, um campo de estudo que investiga como o ambiente pode influenciar a expressão dos nossos genes sem alterar a sequência do DNA, reforça essa ideia: nossos hábitos podem "ligar" ou "desligar" genes, impactando diretamente nossa saúde e longevidade.
Mito 3: Doenças crônicas são exclusivas de idosos e não afetam os mais jovens
A verdade: Embora a incidência de doenças crônicas aumente com a idade, essas condições não são exclusivas dos idosos. Fatores genéticos e ambientais podem levar ao desenvolvimento de doenças crônicas em indivíduos mais jovens. Por exemplo, mutações em genes como o BRCA1 estão associadas a um risco aumentado de câncer de mama e ovário em mulheres mais jovens. Além disso, hábitos de vida pouco saudáveis, como sedentarismo e má alimentação, podem acelerar o processo de desenvolvimento de doenças crônicas em qualquer idade. A prevenção e a atenção à saúde são, portanto, preocupações que devem permear todas as fases da vida.
Mito 4: Uma vez diagnosticado com uma doença crônica, não há como melhorar a qualidade de vida ou influenciar o curso da doença
A verdade: Receber o diagnóstico de uma doença crônica pode ser desafiador, mas isso não significa o fim da qualidade de vida ou a impossibilidade de influenciar o curso da doença. Pelo contrário, mesmo após o diagnóstico, é totalmente possível melhorar a qualidade de vida e o prognóstico por meio de tratamentos adequados e, crucialmente, mudanças no estilo de vida. A ciência tem demonstrado que intervenções como uma dieta específica, exercícios físicos e técnicas de redução de estresse podem modular a expressão gênica e influenciar processos biológicos relacionados à doença. O acompanhamento médico regular, a adesão rigorosa ao tratamento prescrito e a adoção de hábitos saudáveis são ferramentas poderosas para controlar os sintomas, prevenir complicações e permitir que a pessoa mantenha uma vida ativa e satisfatória.
Mito 5: Apenas medicamentos são eficazes no controle de doenças crônicas
A verdade: Embora os medicamentos desempenhem um papel crucial e muitas vezes indispensável no tratamento de diversas doenças crônicas, eles não são a única ferramenta eficaz. Intervenções no estilo de vida são igualmente importantes e, em muitos casos, complementares aos tratamentos farmacológicos. A prática de exercícios físicos, uma alimentação saudável, o controle do peso e a redução do estresse não apenas promovem o bem-estar geral, mas também podem modular a expressão gênica e influenciar diretamente os mecanismos biológicos das doenças crônicas. A ciência tem cada vez mais evidências de que essas mudanças de hábitos podem reduzir a necessidade de medicamentos ou otimizar seus efeitos, contribuindo significativamente para o manejo eficaz dessas condições e para uma vida mais longa e saudável.
Conclusão
Em resumo, o envelhecimento é um fator que pode aumentar o risco de desenvolvimento de doenças crônicas, mas ele não determina seu surgimento. A mensagem principal é clara: a complexa interação entre nossa genética e o ambiente em que vivemos nos dá um poder considerável sobre nossa saúde. A adoção de um estilo de vida saudável é essencial tanto para a prevenção quanto para o controle dessas condições, independentemente da idade ou da predisposição genética. Cuidar de si é um investimento contínuo na sua longevidade e qualidade de vida, baseado em evidências científicas que nos mostram que temos um papel ativo em nossa própria saúde.


